Tuesday, February 24, 2009

CERIMÔNIA À INDIANA



Deu favoritismo em quase todas as categorias. Com exceção de melhor ator e filme estrangeiro, em que o japonês Okuribito venceu o israelense franco favorito Waltz With Bashir, quem apostou em azarão perdeu dinheiro. Quem Quer Ser Um Milionário?, que a princípio seria um azarão, mas ao longo da temporada de premiações despontou como barbada, levou, além do Oscar de melhor filme e diretor, mais seis prêmios, somando um total de oito (o filme concorria a dez). Foi um verdadeiro rolo compressor, enquanto o líder em indicações, O Curioso Caso De Benjamin Button teve de se contentar apenas com três dos treze a que concorria, todos os três técnicos (direção de arte, maquiagem e efeitos visuais). A cerimônia apresentada pelo Wolverine Hugh Jackman foi divertida, o ator australiano se revelou um bom apresentador e ainda revelou sua porção Broadway cantando, dançando e sapateando em números musicais. O número inicial em que ele fez várias referências aos indicados e ainda chamou a atriz Anne Hathaway, que concorria ao Oscar de melhor atriz por O Casamento De Rachel para participar foi impagável. Um outro com vários dançarinos e participação da cantora Beyoncé também foi divertidíssimo, na verdade era um medley de temas clássicos do cinema musical. A participação de Beyoncé e mesmo a escolha de Jackman para o posto de cicerone confirmam a tendência da cerimônia de tentar atrair a audiência jovem, e isso pôde ser constatado na agilidade da festa e nos clipes que compilavam os principais sucessos do ano em cada gênero (comédia, romance, ação, animação), sempre com estandartes pop modernos (como Coldplay, por exemplo) na trilha de fundo. Ainda para uma maior agilidade, as canções originais que concorriam na noite foram apresentadas de uma só vez e não espalhadas ao longo da cerimônia. As baixas foram M.I.A que acabou de dar a luz e não compareceu para executar o tema de Quem Quer Ser Um Milionário? e Peter Gabriel, que reclamou da falta de tempo para preparar a apresentação da música de sua autoria Down to Earth, tema da animação Wall-E. O britânico ex-líder do Genesis até compareceu à cerimônia na platéia, mas quem cantou o tema da animação da Pixar foi John Legend. A premiação desse ano apresentou uma inovação na entrega dos prêmios de melhor ator e melhor atriz: tanto na categoria coadjuvante quanto na principal a introdução foi feita por vencedores de edições passadas em vez da tradicional passagem de cetro dos outros anos, quando a vencedora/vencedor do ano anterior entregava a estatueta para o vencedor/vencedora do ano. Na categoria atriz coadjuvante havia um certo favoritismo que se confirmou, ganhou a atriz Penélope Cruz por Vicky Cristina Barcelona, não chegou a ser barbada porque Viola Davis e Emma Davis, ambas concorrendo por Dúvida, também eram fortes candidatas. No discurso agradeceu seu padrinho, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Kate Winslet bateu Maryl Streep na categoria atriz principal e levou sua primeira estatueta para casa por sua atuação em O Leitor com um discurso emocionado, ela ensaiava para aquele momento desde criança em frente ao espelho com uma embalagem de xampu na mão. A surpresa foi a vitória de Sean Penn por sua interpretação em Milk, derrubando o favoritismo de Mickey Rourke. O momento mais emocionante da noite foi mesmo o Oscar póstumo para Heath Ledger, o primeiro em trinta e três anos. O único ator a ganhar a estatueta pós-óbito foi Peter Finch pelo filme Rede De Intrigas. A família de Ledger recebeu o prêmio em seu nome (mas a dona é sua filha, pelas regras da academia) e o reconhecimento da academia pelo brilhante trabalho do jovem ator australiano morto há um ano, antes da estréia do filme Batman O Cavaleiro Das Trevas onde deu ao cinema um a versão definitiva do Coringa, levou muitos presentes quase às lágrimas. O rei da comédia Jerry Lewis também foi lembrado e ganhou um prêmio honorário pelo conjunto da obra. Talvez uma forma da academia se lembrar de uma época em que comédia se fazia com inteligência, graça e gaiatice, e não com piadas imbecis e grosseiras. De resto foi festa à indiana, quando Spielberg anunciou o prêmio mais importante da noite, quase toda a equipe do filme, entre britânicos e indianos, subiu ao palco, inclusive as crianças protagonistas.

Melhor Filme
Quem Quer Ser Um Milionário
Melhor diretor
Danny Boyle – Quem Quer Ser Um Milionário
Melhor ator
Sean Penn - Milk-A Voz Da Liberdade
Melhor atriz
Kate Winslet – O Leitor
Melhor ator coadjuvante
Heath Ledger - Batman O Cavaleiro Das Trevas
Melhor atriz coadjuvante
Penélope Cruz - Vicky Cristina Barcelona
Melhor Animação Longa-Metragem-

Wall-E
Melhor Roteiro Adaptado
Quem Quer Ser Um Milionário
Melhor Roteiro Original
Milk - A Voz da Liberdade
Melhor Direção de Arte
O Curioso Caso de Benjamin Button
Melhor Fotografia
Quem Quer Ser Um Milionário
Melhor Figurino
A Duquesa
Melhor Filme Estrangeiro
Okuribito (Japão)
Melhor Documentário
O Equilibrista
Melhor Documentário Curta-Metragem
Smile Pinki
Melhor Montagem
Quem Quer Ser Um Milionário
Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button
Trilha Sonora Original
Quem Quer Ser Um Milionário
Melhor Canção Original
"Jai Ho" - Quem Quer Ser Um Milionário
Melhor Curta Animado
La Maison en Petits Cubes
Melhor Curta Live-Action
Spielzeugland (Toyland)
Melhor Edição de Som
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Melhor Mixagem de Som
Quem Quer Ser Um Milionário
Efeitos Especiais
O Curioso Caso de Benjamin Button

Monday, February 23, 2009


Agora não precisamos mais ir a Buenos Aires para assistir a um filme em IMAX. Foi inaugurada em São Paulo a primeira sala da projeção gigante do Brasil no Espaço Unibanco de cinema de Pompéia, no shopping Bourbon, na zona oeste da capital. Embora dentro dos padrões internacionais, as dimensões da tela não chegam a ser tão gigantescas (14mx21m), a de Buenos Aires é maior (a maior da américa latina), mas ainda assim é uma experiência e tanto ver filmes em 2d ou 3d numa tela de IMAX, e, o que é melhor, sem sair do país (minha primeira experiência no formato foi em Londres há 8 anos e fiquei maravilhado). Pena que no Rio deve demorar um pouco, a próxima sala a ser construida no segundo semestre deste ano será em Porto Alegre. A tendência é aumentar o número de salas IMAX pelo mundo, bem como o número de filmes no formato, pois, com o aumento do tamanho e da definição das tvs os cinemas têm de oferecer algo a mais para fazer com que o público saia de casa. Batman o cavaleiro das trevas que teve boa parte das cenas filmadas com câmeras IMAX está sendo exibido na sala paulista. Tem seis minutos a mais , além de uma imersão incrível nas cenas, sgundo quem teve a oportunidade de conferir. Vale a ponte aérea

Saturday, February 21, 2009

O Oscar desse ano cai bem no domingo de carnaval, mas como cinéfilo é ruim da cabeça e doente do pé, isso não chega a ser problema. Já que a cerimônia começa quando a passarela do samba estiver a todo vapor, nada mais apropriado do que fazer uma analogia entre os quesitos julgadores do desfile e as categorias da premiação de Hollywood. Na verdade estou reprisando uma brincadeira postada em fevereiro de 2006, mas faz sentido
Samba-enredo- canção original
Enredo- roteiro
Alegorias e adereços- direção de arte
Fantasia- figurino
Bateria- som
Harmonia- montagem sonora
Conjunto- montagem
Mestre sala e porta bandeira- melhor ator/atriz

Tuesday, February 17, 2009

GRAMMY PROGRAMA LEGAL


Costumava ser assim: a cerimônia do Grammy era chata, monótona, com artistas americanos que só os americanos conheciam, e, entre um número musical modorrento de algum artista country e outro, saía um prêmio para alguma banda britânica, ou quem sabe de Hard rock? A premiação andava tão conservadora que chegou a ponto de dar ao Aerosmith(??????) o Grammy de banda alternativa(???????????). Enquanto isso, a MTV fazia seu VMA, a versão mais descontraída e bem mais legal do Grammy, com as bandas e artistas que interessavam, sem aquela chatice careta do Grammy. Mas hoje o cenário é outro: o VMA se encontra monopolizado pelo império do hip hop/r&b e o Grammy... não é que se tornou uma boa opção? Bons shows, premiações justas, podia ser um pouco menor, é claro, e o excesso de premiações pelo conjunto da obra cansa um pouquinho, mas a cerimônia se mostrou eclética, teve pra todos os gostos. A noite começou com U2 e sua nova música do disco que será lançado no próximo dia 2. A faixa intitulada Get On Your Boots lembra bastante Vertigo, o hit do álbum anterior dos irlandeses, só que menos inspirada, é ouvir o restante e saber se a banda mantém o nível dos dois últimos trabalhos. O Coldplay fez seu show certinho de sempre, Paul McCartney relembrou o clássico de sua ex-banda “I saw her standing there” com Dave Grohl na bateria, Al Green também interpretou seu clássico com um artista contemporâneo Justin Timberlake, mas cá entre nós, Let’s stay together dispensava o ex-NSYNC. Kate Perry substituiu Rihanna que chegou a ser anunciada no início da cerimônia, mas cancelou sua apresentação meia hora antes da festa, dizem que por ter levado uma surra do namorado. Interessante também foi M.I.A ter se apresentado com um barrigão de nove meses e possibilidade de parto para aquela noite. A grata surpresa mesmo foi o show do Radiohead, geralmente avesso a esse tipo de evento e a apresentação de Robert Plant e Alison Kraus, os vencedores da noite. A dupla merecidamente faturou os cinco troféus a que concorria, sendo dois por Raising Sand(disco do ano e disco folk contemporâneo)e os outros por músicas do álbum, Killing the blues, Rich woman e Please read the letter, favorito da noite o rapper Lil Wayne só levou metade dos oito prêmios a que Tha Carter III concorria, Coldplay ganhou o prêmio de canção do ano por Viva la vida e o Radiohead levou por banda alternativa. Que no próximo ano continue assim.

Monday, February 02, 2009

Maquiavel mais atual do que nunca

Quando em sua obra “O príncipe” Maquiavel escreveu o que fora interpretado em síntese como os fins justificam os meios (isso não consta em parte alguma do texto, fora depreendido), certamente não sabia que essa máxima seria repetida e seguida à risca até os dias de hoje. Nesta obra, o pensador absolutista justifica os métodos utilizados pelos monarcas para se manterem no poder e garantir a paz, não importa como. Mas esse pensamento se perpetuou e é seguido não só por monarcas e políticos, mas também em outras áreas e caiu como uma luva nesses dias de disputas ferozes por postos, carreira, status etc. É sabido que na sociedade ocidental contemporânea, o resultado tem muito mais relevância do que o esforço, boa vontade, perseverança, assim sendo, é irrelevante se você passou a perna em alguém, se fez valer de meios vis, pouco se importando com o mal que possa eventualmente ter causado a outrem, se aceitou uma mala de um milhão sabendo que para que isso ocorresse uma pessoa deveria morrer em Bali, no fim você saiu triunfante, exibindo seu troféu, colhendo os loiros da vitória, sendo saudado como herói. Nossa sociedade valoriza o vencedor, que por mais nefasta que tenha sido sua campanha, ele detém a versão definitiva de sua trajetória, então poderá contá-la de seu modo, suprimindo ou acrescentando o que for necessário. Com isso em mente, as pessoas não vêem mal algum em atropelar as outras em prol de seus objetivos maiores, que se forem vistos de forma bem analítica, são muito pequenos, geralmente ligados a status, vaidade e reconhecimento dentro da própria aldeia, nada que eleve o espírito ou pavimente o caminho da sabedoria suprema. Infelizmente esse procedimento é visto de forma positiva, muitas vezes estimulado, tanto que no mercado de trabalho fala-se em competitividade, agressividade como grandes qualificativos, mas no fundo significam esmagar a cabeça do outro para subir de posição, ou seja, lei da selva, e pro inferno com os escrúpulos. Por isso, toda vez que alguém tiver coragem para confessar, até mesmo para si mesma, que fez mal a alguém para alcançar determinada conquista, usará Maquiavel como justificativa e tudo bem.

Friday, January 30, 2009

Entrevista com o lendário cartunista do underground carioca Johandson, o Crumb tupiniquim, pra quem pensa que viver de arte no Brasil é moleza. Veja mais do trabalho do Johandson em www.cartoondelia.blogspot.com
http://br.youtube.com/watch?v=P_m94vj8vxw

Thursday, January 29, 2009

O Apocalipse

Deus está deprimido! O apocalipse está próximo. É dessa premissa que parte a peça O Apocalipse segundo Domingos Oliveira em cartaz no Rio de Janeiro. Encenada pelo Grupo Fúria, companhia de teatro formada por 33 mulheres bonitas e 15 rapazes jeitosos, o espetáculo mostra a impagável visão do teatrólogo sobre o Juízo final, onde Deus aparece encarnado na pele de um mero mortal, o que aumenta sua crise existencial, tem de enfrentar um complô das criaturas do inferno antes de dar fim a tudo e de quebra ainda “responde” algumas perguntas que sempre nos fazemos a respeito dele. O papel de Deus a princípio seria interpretado pelo próprio Domingos, mas este achou que Matheus Souza, seu assistente, era perfeito para o papel, então resolveu mudar sua participação e surge na pele do Poeta. O elenco também conta com a multitalentosa e bela Mônica Montone, nossa amiga poeta do blog fina flor. Sextas, sábados e domingos no Laura Alvim. Imperdível.
Com a entrega dos prêmios SAG (Screen Actors Guild) fica definido quem larga com chances ao Oscar: Slumdog Millionaire sai na frente, além de ter abocanhado o prêmio de melhor filme dramático no Globo de Ouro, faturou também o prêmio máximo do SAG (performance de elenco, equivalente a melhor filme no Oscar). Heath Ledger levou mais um prêmio póstumo por seu Coringa em Batman, o cavaleiro das trevas. Nas categorias melhor ator e atriz houve divergência em relação ao Globo de Ouro; Sean Penn levou a estatueta por Milk e Meryl Streep, sempre forte concorrente, desbancou Kate Winslet, que teve que se contentar apenas com o prêmio de atriz coadjuvante em O leitor. Streep levou a melhor com seu papel em Dúvida. Provavelmente a categoria de melhor atriz será a mais concorrida, que ainda tem Anne Hathaway (O casamento de Rachel) com chances reais. Mas, como todos sabem, o Oscar sempre pode surpreender e o azarão levar a festa. O prêmio da Academia será entregue dia 22 de fevereiro, bem no domingo de carnaval, mas como cinéfilo costuma ser uma raça doente do pé, isso não será exatamente um problema.

Monday, January 19, 2009

JÁ VAI TARDE


Terminou a noite dos oito anos. Damos com imensa satisfação adeus ao déspota que empreendeu sua cruzada de pregação da burrice e da intolerância, e da visão unilateral do outro. Livramo-nos de sua política externa desastrada que desrespeitava acordos internacionais, ignorava a soberania de outros países, tachava de forma calvinista que “os que não estão conosco estão contra nós”, de seu protecionismo alfandegário burro, de sua sede injustificável por petróleo, de seu investimento prioritário na indústria bélica colocando setores mais inteligentes da economia em segundo plano. E o principal: vamos nos livrar da cultura do medo de fantasma que servia de justifica para que ele e seus asseclas distribuíssem bombas pelo oriente médio sob alegação de defender a liberdade e a segurança internacional, mas todos sabem qual era o real propósito: manutenção e expansão do imperialismo. Despede-se o sujeito que criou no mundo uma antipatia tamanha por seu país que chegamos todos a nos esquecer, por um determinado momento, que os Estados Unidos da América nos deram o Jazz, o Blues, a Ella Fritzgerald, o Miles Davis, o Bob Dylan, os Beach boys, o Chuck Berry e o Little Richards, o Elvis Presley, a Billie Holliday, o Hemingway, o Jack Keruac e o Allen Ginsberg, o Bill Plympton, o Walt Disney, o Woody Allen, o Stanley Kubrick, o cinema espetáculo, a Broadway, a Coca Cola os mm, o Häagen Dazs (sim o sorvete é americano, não europeu como muita gente pensa). Barck Obama pode não salvar o mundo, mas uma coisa é inegável: nesta terça feira o mundo amanhecerá muito melhor, mais justo e, principalmente, mais inteligente.

Kate Winslet foi a grande vencedora do Globo de Ouro, ficando com o prêmio de melhor atriz coadjuvante em The Reader e melhor atriz por Revolutionary Road , onde volta a dividir a cena com Leonardo DiCaprio 11 anos depois de Titanic. Com isso suas chances para o Oscar aumentam bastante. Mickey Rourke voltou a brilhar depois de chegar ao ostracismao. Seu The Wrestler lhe rendeu o prêmio de melhor ator em drama. Heath Ledger, perfeito em sua encarnação do Coringa recebeu prêmio póstumo(merecidíssimo) que deveria se repetir no Oscar. Na categoria melhor filme musical ou comédia, deu Woody Allen na cabeça com seu Vicky Cristina Barcelona. Mantendo sua tradição avessa a prêmios de indústria, não compareceu à festa. A grande surpresa foi Slumdog Millionaire, produção anglo indiana que já é um grande sucesso nos E.U.A, abocanhou o prêmio principal e pode surpreeender também no Oscar

Tuesday, January 06, 2009

Então que dizer que depois de penar gravando as regras do trema ele simplesmente some?
E o hífen, vai embora de várias palavras mas permanece em algumas
Ditongos abertos perdem acento, hiatos com vogais dobradas também.
Sei não, mas essa reforma ortográfica veio mais para confundir do que para facilitar, e as mudanças foram feitas onde menos precisava. Trazer de volta o kwy, por exemplo, mas somente em palavras estrangeiras. Mas não era o que estava sendo feito na prática?
Mas ao menos teremos três anos com as regras novas e antigas coexistindo até as novas tomarem o lugar definitivamente, mas que foi desnecessário...

Sunday, January 04, 2009


Como dizem os críticos, em tempos em que a mediocridade domina a indústria cinematográfica é mais que um alento saber que há um Woody Allen em plena atividade. Sem dúvida, por menos inspirado que seja uma película sua, será sempre um filme no mínimo imperdível. Seu Vicky Cristina Barcelona (que, por milagre, não demorou a estrear por aqui, como vinha acontecendo com filmes de Woody Allen) a que só fui assistir ontem não foge à tradição de filmes de qualidade do cineasta, mas confesso que algumas coisas me incomodaram. A primeira coisa, não sei se foi impressão minha, mas não me pareceu um filme autoral. Claro que é possível identificar várias de suas peculiaridades, há os conflitos humanos, tanto externos quanto internos, há a mulher neurastênica, há a forma engenhosa de se contar a história, mas fica a impressão de que o filme foi feito muito mais para promover a cidade de Barcelona e o roteiro ficou meio que em segundo plano. Diga-se de passagem, a cidade podia ter sido mais explorada pelo diretor de fotografia Javier Aguirressarobe(responsável pela belíssima fotografia de Mar Adentro de Alejandro Amenabar). Faltou talvez o carinho com que Gordon Willis fotografou Nova York natal de Woody em Annie Hall e Manhatan, ou a pompa com que o inglês Remi Adefarasin (que depois assinou magistralmente a fotografia de Elizabeth a era de ouro) enquadrou Londres em Match Point (aquela tomada da vista do apartamento onde Chris e Chloe vão morar é uma das melhores do filme). Outra coisa que me incomodou foram os estereótipos: O latin lover irresistível, a espanhola sangue quente explosiva em constante ataque de nervos (mas cá pra nós, Penélope Cruz está ótima no papel), talvez Woody tenha assistido a muitos filmes de Almodóvar ultimamente, inclusive a cena do beijo a três é Almodóvar até o celulóide. Para o fato de ser um filme promocional há uma explicação: Woody Allen não filma mais em Nova York. É caro, não há incentivo a produções quase independentes como seus filmes nos E.U.A, por isso o cineasta se mudou de mala e cuia para a Europa, onde foi muito mais bem acolhido, fez três filmes consecutivos na Inglaterra. Hoje Woody filma onde houver proposta, nesse caso Barcelona fez a oferta, se o Rio se candidatar é bem possível de haver um filme de Woody Allen passado no Rio de Janeiro, fico imaginando a minha cidade captada pela lente de um dos meus cineastas favoritos. Quanto ao roteiro fica claro que Woody escreveu Vicky Cristina Barcelona em uma madrugada, mas ainda assim teve um bom resultado, ficando patente que se trata de um mestre. No conjunto é um bom filme, mas não chega a ser o melhor dos últimos dez anos como ouvi dizerem, Melinda Melinda e Match Point ganham de lavada, mas é bem superior ao anterior, Sonho de Cassandra, às comédias do início da década e, claro, leva a marca Woody Allen.

Thursday, January 01, 2009

HAY QUE ENDURECER SIN PERDER LA TERNURA


Há exatos 50 anos um pequeno país localizado no Caribe, que na época era literalmente um quintal dos Estados Unidos, mostrou força e audácia inversamente proporcional ao seu tamanho e poderio econômico. Cuba era um paraíso de jogo e prostituição para estrangeiros e com uma oligarquia que vivia de forma nababesca enquanto a população mergulhava na mais profunda miséria. Até que um jovem advogado, ironicamente filho da elite oligárquica junto com um jovem médico argentino de espírito libertário, cujo objetivo era lutar por uma América latina totalmente livre, depuseram o regime ditatorial de Fugêncio Baptista financiado pelos Estados Unidos e instauraram a chamada revolução verde oliva. O jovem médico era Ernesto “Che” Guevara e o jovem advogado oriundo da elite era Fidel Castro. A princípio não se tratava de uma revolução comunista, mas com o bloqueio norte-americano (que tentou invadir o país com o desiderato de acabar com a “balbúrdia” sem obter êxito), a ilha teve de buscar ajuda econômica, bélica além de fornecimento de commodities na URSS e o regime de Fidel passou a assumir caráter socialista. Os Estados Unidos tiveram que se conformar e engolir calados a transformação de seu outrora quintal em uma ilha de prosperidade com a implantação reforma agrária, alto investimento em educação que permitiu que o povo cubano se tornasse o mais culto das Américas, sistema de saúde organizado e avançadíssimo que garantiu uma expectativa de vida alta. Sem miséria nas ruas, sem mortalidade infantil e índice de analfabetismo zero, Cuba passou a apresentar um dos maiores índices de desenvolvimento humano das Américas (bem maior que o nosso, diga-se de passagem) Passadas cinco décadas, a URSS caiu, o país teve que se abrir para o turismo, porque sem o apoio do leste europeu e o agravo do embargo decretado por Bush pai tudo apontava para uma situação calamitosa chegando a faltar, em determinado momento, até mesmo o básico. Com a aposentadoria de Fidel, substituído por seu irmão Rau,l aumentaram as especulações a respeito de uma abertura política e econômica, que na prática já começou, ainda que de forma tímida. Existe também muita expectativa sobre o fim do bloqueio americano com a posse do presidente democrata Barack Obama, coisa muito difícil de ocorrer, já que, apesar da intenção do presidente eleito de aumentar a exportação de matéria prima e até mesmo outros produtos para a ilha caribenha, os Estados Unidos não reconhecem países onde não se realizam eleições diretas e inimigos políticos do governo são mantidos em cativeiro. Ou seja, quando eleições compradas, onde prevalecem interesses escusos e o compadrismo, forem instauradas e corruptos continuarem livres para conspirar contra o progresso e o desenvolvimento da ilha, aí sim os Estados Unidos poderão extinguir de vez o absurdo embargo decretado na época da Guerra Fria.

Apesar de tudo, não custa nada acreditar que agora é pra valer, que tudo vai mudar, vai dar certo e viveremos melhor

Feliz 2009

Sunday, December 21, 2008

O ser humano é um ser gregário, ou seja, depende (e muito) dos seus semelhantes para garantir sua subsistência, desde a época das cavernas, quando éramos essencialmente caçadores e coletores, trabalho que exigia uma boa dose de cooperação. O tempo passou, evoluímos, não dependemos mais do estritamente necessário para viver, pelo contrário, transcendemos a isso, mas continuamos gregários, pois com a cultura da especialização sempre dependemos daquele que domina a técnica que não dominamos, mas pára por aí. Paradoxalmente ao passo que nos tornamos ainda mais coletivos, o que garantiu nossa perpetuação como raça dominante, tornamo-nos mais individuais, criamos divisões, classes, castas, tudo para justamente nos diferenciar dos nossos semelhantes. Um exemplo claro disso são as áreas VIP cada vez mais comuns nos shows de grande porte que rolam por aqui. Eu me lembro da época em que para ficar no gargarejo bastava chegar cedo ao estádio, mas agora é preciso desembolsar quase o seu peso em ouro para ficar cara a cara com seu artista favorito. Quando rolou nos Rolling Stones, tudo bem, show na praia, maior zona, para garantir que Altamont não se repetiria (quando um Hell’s Angel assassinou um rapaz da platéia aos pés da banda em 1969) reservaram os últimos 40 metros do palco para um público “seleto” enquanto a plebe era isolada para atrás. Recentemente no show do R.E.M houve um cercadinho mas a área reservada aos meros mortais era tão próxima que nem fazia sentido aquela divisão. Semana passada fui ao show da Madonna, e aí sim, me revoltei. Em um show pago (e bota pago nisso) colocar uma área chamada pista VIP a preço astronômico chega a ser desrespeito. O que é ainda mais revoltante é o fato de boa parte dos ali presentes não ser pagante e sim famosidades convidadas para dar maior glamour ao evento. Geralmente essas criaturas não conhecem muito sobre o artista, não conhecem a obra a fundo, estão ali apenas pelo evento, pela badalação, para ver e ser visto. E o resto teve dinheiro ou loucura suficiente para bancar aqueles cento e vinte minutos caríssimos no melhor lugar. Com tudo isso, fica bem claro naquele espaço que não somos todos iguais, que democracia é balela, que temos uma cultura de privilégios dos quais poucos desfrutam e todos querem ter a oportunidade de desfrutar, caso contrário não seria privilégio que tem sua origem no latim “privilegium” cujo significado é lei excepcional, privativa. Pelo dinheiro ou pela influência o que importa é ser importante, é ser Very Important People.

Thursday, December 18, 2008


Aqui vai uma letra do gênio Bob Dylan. Os que não conhecem, baixem, comprem coletânea, comprem o dvd No Direction Home, brilhante documentário realizado por Martin Scorcese, não vão se arrepender


Rainy Day Women #12 &35

Well, they'll stone ya when you're trying to be so good

They'll stone ya just a-like they said they would

They'll stone ya when you're tryin' to go home

Then they'll stone ya when you're there all alone

But I would not feel so all alone,

Everybody must get stoned.

Well, they'll stone ya when you're walkin' 'long the street.

They'll stone ya when you're tryin' to keep your seat.

They'll stone ya when you're walkin' on the floor.

They'll stone ya when you're walkin' to the door.

But I would not feel so all alone,

Everybody must get stoned.

They'll stone ya when you're at the breakfast table.

They'll stone ya when you are young and able.

They'll stone ya when you're tryin' to make a buck.

They'll stone ya and then they'll say, "good luck.

"Tell ya what, I would not feel so all alone,

Everybody must get stoned.

Well, they'll stone you and say that it's the end.

Then they'll stone you and then they'll come back again.

They'll stone you when you're riding in your car.

They'll stone you when you're playing your guitar.

Yes, but I would not feel so all alone,

Everybody must get stoned.

Well, they'll stone you when you walk all alone.

They'll stone you when you are walking home.

They'll stone you and then say you are brave.

They'll stone you when you are set down in your grave.

But I would not feel so all alone,

Everybody must get stoned.
Ainda sobre Mônica Montone, pra quem mora ou está no Rio e quer conferir o trabalho da moça ao vivo, ela dará show no Laura Alvim (Av Vieira Souto 176 Ipanema Rj) neste sábado dia 20 às 21 horas e domingo dia 21 às 20 horas. Também rola sábado dia 27 e domingo 28 nos respectivos horários. Ótima pedida, até porque lá não tem aquela divisão de castas denominada pista VIP.

Wednesday, December 17, 2008

Ah, a foto que ilustra a matéria abaixo é de Patriccia Landim

VIDA INTELIGENTE NA WEB (COMEMOREMOS!!!)


Muito se fala em uma queda das utopias e desuso do pensar profundamente da nossa geração pós-ditadura militar. Isso ocorreu de fato, pois, sem um inimigo visível, sem tabus a serem quebrados e sem uma força opressora cerceando nossa liberdade, não haveria necessidade de um processo de conscientização e conseqüente revolta contra o status quo, como se realmente não houvesse uma força opressora presente, porém escamoteada em meio a tanta permissividade e alienação.
Mas, como para toda regra existe uma exceção e às vezes temos surpresas agradáveis que nos fazem sorrir de orelha a orelha por haver gente inteligente incomodando por aí, há esperança. Descobri na internet recentemente (acreditem, internet não é apenas um celeiro de bobagens) uma alma pensante que muito me encheu de entusiasmo: Mônica Montone.
Inteligentíssima e versátil, Mônica é escritora, cantora, compositora, diretora de curta-metragem... e ainda por cima é linda. Foi chamada de A poeta (as mulheres conquistaram, inclusive no dicionário o direito de serem chamadas de poetas e não poetisas) da geração 00.
Essa paulista de Campinas que adotou o Rio como lar, surgiu com um texto na internet chamado Ser ou não ser de ninguém, eis a questão tribalista, criticando o hedonismo e a banalização das relações afetivas dos jovens de hoje, curiosamente esse texto foi creditado na rede como sendo de autoria de Arnaldo Jabour(!!!). O grande reconhecimento da moça no meio literário veio com seu livro Mulher de Minutos.
Seu blog Fina Flor é uma compilação de textos, poesias, pensamentos e é um dos blogs literários mais visitados da web. Seus textos são profundos sem cair na prolixidade, Monica diz o que pensa, mas de forma irreverente, sem ser agressiva, mostra-se superior sem ser arrogante.
Em sua página do myspace é possível ouvir quatro músicas gravadas de seu disco, no qual teve o jornalista Claufe Rodrigues como produtor e parceiro de composição e músico (violão elétrico). São quatro faixas: a belíssima Cidade dos sonhos, referência ao filme de David Lynch (essa noite eu daria meu sonho/por um sorriso seu/ essa noite eu daria meu sonho/ para ser um sonho seu), Mulher de minutos, em que Mônica explicita sua autenticidade e recusa a se enquadrar em padrões estabelecidos (veleiro sem direção/estou sempre na contramão, ou ainda, não sou mulher de minutos/não pinto meu cabelo de fogo, não faço tatuagem no umbigo). A divertidíssima Sartre de banda faz referência a vários poetas (perceberam o trocadilho do título?) e Te amo de amor, que fecha a amostra grátis, uma bela canção sobre entrega. A produção é bem caprichada, os arranjos de muito bom gosto e os músicos excelentes, guitarra afiada e cozinha bem entrosada. Se a cena da música popular brasileira atual está dominada por megacantoras de axé, bregas, sertanejos e funkeiros, vale a pena conferir o trabalho musical de Mônica Montone, que corrobora a boa fama de nossa música popular no cenário global, além de fazer com que sujeitos com visão niilista a respeitos dos tempos modernos como eu voltem a sorrir com a possibilidade de dizer no caso de visita alienígena à Terra: existe sim, vida inteligente.
Para conferir: www.monicamontone.net, www.finaflormonicamontone.com

Tuesday, December 09, 2008

De Volta Aos 90, já?

Uma nova versão de Barrados no baile rolando na TV, a volta bizarra do New Kids On The Block, reprise de Pantanal fazendo um baita sucesso e mais uma vez perturbando a Globo, festas anos 90 começando a pipocar pela cidade... não, não é impressão sua, os anos 90 estão de volta. A nostalgia em torno dos 80 parece estar dando sinais de desgaste e como a tendência é fazer revival de uma década sempre 20 anos depois, a bola da vez será a última década do século XX. Há quem diga que a função da nostalgia é se refugiar do presente num passado imaginário quando só coisas boas aconteceram. Outros consideram a nostalgia saudável, positiva. Eu, particularmente procuro viver o presente, com todas as suas vicissitudes e lembrar do passado de vez em quando sem esquecer de que naquela época eu também tinha meus problemas. Em relação à volta dos anos 90, só lamento porque o que virá mesmo será o lixo produzido naquela década, mais ou menos como aconteceu com os 80. Então se preparem para a volta das boquinhas das garrafas e tchans, para a volta de Rodolfo e ET e Tiririca. Dificilmente a mídia irá lembrar do álbum Your Arsenal de Morrissey ou de Stanley Road de Paul Weller, Ok computer do Radiohead, ou seja as coisas realmente legais que rolaram. Mas aproveitando o mote, vamos a uma listinha básica dos anos 90
5 melhores discos:
1. Ok computer
2.Your Arsenal
3. What’s the story mourning glory
4 Post
5. Parklife

5 melhores filmes
1. Pulp fiction
2. Transpotting
3. Terra estrangeira
4. A fraternidade é vermelha
5. Ed Wood

5 melhores seriados de TV
1. Anos incríveis
2. Arquivo X
3. Party of Five
4. Um amor de família
5. Seinfeld

5 melhores séries de animação
1. Os Simpsons
2. Aeon Flux
3. King of the Hill
4. Daria
5. Beavis and Butthead