Wednesday, February 15, 2006

U2 DISCO A DISCO















Há 28 anos atrás o Jovem Larry Mullen Jr colocou num mural de uma escola secundária de Dublin Irlanda um anuncio convocando vocalista guitarrista e baixista para formar uma banda de rock. Paul Hewsen, Dave Evans e Adam Clayton atenderam ao chamado para as respectivas funções e formaram a banda Feedback. Segundo parentes e vizinhos o som, geralmente tirado na cozinha de Larry, era desastroso. Em 1978 já sob o nome de U2, a banda grava seu primeiro ep U23 e o resto é história. Paul Hewsen (Bono), Dave (the Edge) Evans Adam Clayton e Larry Mullen se tornaram o maior grupo de rock da década de 80 e um dos maiores ainda em atividade junto com os Stones. Aqui acompanharemos a trajetória da banda através de seus discos.




Boy (1980)- O debut da banda é um disco essencialmente influenciado pelo punk e a new wave. O U2 aqui se encontra com uma energia juvenil e um clima bastante descompromissado. Guitarras com forte pegada, melodias bem engendradas e a segura produção de Steve Lillywhite assegurou este disco entre os melhores da década. Boy traz as clássicas I will follow, Eletric co

October (1981)- Ainda sob as mesmas influências do anterior, o U2 não decepciona no teste do segundo álbum. Destaque para a bela clássica Gloria

War (1983)- É o Green card do U2. Com este álbum a banda estoura nos E.U.A . É também um disco de transição da fase pós-punk para a fase messiânica. Aqui a face engajada que passará a ser a marca registrada do grupo começa a se desenhar. New year’s day era uma critica à lei marcial polonesa decretada depois da dissolução do partido solidariedade, que fazia manifestações nas ruas pedindo liberdade de expressão e condições de trabalho descentes, e prisão de seu líder Lech Walensa. Logo após o lançamento do single a lei foi revogada. Além de New year’s day outro clássico da banda (senão o maior de todos) é a bela Sunday bloody Sunday, que lembra o episódio do domingo sangrento. Ficou marcada por sua inconfundível bateria marcial. Esse disco rendeu uma turnê pela Europa e Estados Unidos que foi registrada no ótimo ao vivo Under a blood red sky

The unforgettable fire (1985)- Não há mais resquícios de pos-punk neste álbum. Batizado com o nome da exposição em Chicago para qual o U2 doou o cenário da turnê de 1983, o disco é o inicio da fase messiânica e do fascínio pelas coisas da América característica que se tornará mais evidente nos próximos dois discos. O disco abre com a pungente A sort of homecoming e traz clássicos como Pride, Bad, além da faixa titulo. A belíssima Promenade também merece destaque.

The Joshua Tree (1987)- O multipremiado álbum é o ponto alto da fase messiânica. Perfeito do inicio ao fim é o mais belo disco do U2, o reconhecimento do público e da critica não foram em vão. Apesar de ter quase todo seu lado A tocado a exaustão nas fms é impossível enjoar de musicas tão marcantes como Where th streets have no name, I still haven’t found what i’m looking for, with or without you e bullet the blue sky. Porém seu lado B também é de arrasar, com destaque para Running to stand still, Red hill minnig town e in God’s country.

Rattle and hum (1988)- O U2 agora é uma megabanda. E toda megabanda precisa de um megaprojeto para se auto afirmar certo (basta lembrar de the Wall)? O projeto Rattle and Rum englobava disco e filme. O disco era uma parte canções inéditas e outra parte covers e sucessos da banda ao vivo tirados da turnê Joshua Tree. Já o filme dirigido por Phil Juanou cumpre a missão de mostrar uma banda no auge do sucesso em ação. É aqui que o deslumbramento com a América se torna mais exacerbado: parceria com B.B.King, chapéus de caubói, influencias do folk. A superesposição nessa época foi tanta que depois do ultimo show da turnê que se emendou na Joshua Tree (a lovetown cujo fim se deu num show iniciado à meia noite do dia 31 dezembro de 89 para 1 de janeiro de 90) achou-se que se tratava de uma despedida. Mas era apenas uma retirada estratégica para não desgastar a imagem do grupo. Uma nova fase da banda estava prestes a se iniciar.

Achtung baby (1991)- “O U2 vai gravar um disco dance!” Foi o boato que correu em 1991 quando anunciaram que o U2 daria uma guinada diferente em sua carreira. Certamente vazaram comentários de influências eletrônicas e dançantes no álbum que foram interpretadas precipitadamente como dance music. Na verdade Achtung baby é um disco de fato que inicia a fase experimental do U2, mas essencialmente rock n’ roll: the fly é basicamente distorções e guitarras altas; Untll the end of the world mostra como the Edge evoluiu de um guitarrista básico para um artesão do instrumento; who’s gonna ride your wild horses é o U2 de sempre. Claro, Zôo station, faixa que inicia os trabalhos causa estranheza na primeira ouvida, Mistyrious ways é um flerte com a world music, mas o que importa aqui é o fim do deslumbramento com a América e surgimento de uma banda mais audaciosa.

Zooropa (1993)- Composto durante a turnê de promoção de Achtung Baby, Zooropa é o ponto alto da fase experimental do U2. Artisticamente é o mais rico e nesse há um claro flerte com a música eletrônica, a música Lemon. Mas há lugar, é claro, para canções que remetem ao estilo da banda como Stay(faraway so close) e baby face (que até lembra um pouco With or without you).

Pop (1997)- Agora sim , o U2 gravou um disco quase dance...e não agradou. Não que seja de todo ruim, há bons momentos como Stairing at the sun, Mofo e Last night on earth, mas o que incomoda aqui é que a banda está tentando se auto afirmar, mostrando que não envelheceu e está antenada com as novidades. É o mais fraco da banda.

All that you can’t leave behind (2000)- É um processo natural: banda começa a envelhecer, se recusa a aceitar o fato e lança um disco seguindo uma tendência “muderna” como uma forma de mostrar que ainda tem combustível para queimar. Depois a banda cai em si, percebe que um dia ela criou uma tendência ao invés de seguir uma tendência, e com o endosso dos fãs ela retoma as raízes. All that you can’t leave behind é justamente isso, a volta às raízes passada a estranheza do album anterior. Não se compara a Boy ou Joshua Tree, mas é um bom e inspirado disco de uma banda que sabe que não vai mais revolucionar nada, mas o que não impede de continuar fazendo bons trabalhos. Destaque para a faixa de trabalho Beautiful day e não estourada Wild honey

How to dismantle an atomic bomb (2004)- O melhor desde Zooropa. Melodias bem azeitadas, rocks básicos e diretos, é sem dúvida o disco mais rock que o U2 gravou nos últimos anos. A banda aqui continua apostando na fórmula do time que está ganhando em não mexe no esquema tático adotado no álbum anterior. Destaques são a tocante Sometimes you can make it on your on (feita para o pai de Bono falecido em 2001) e City of blinding lights, que remete ao álbum The Unforgetteble fire

GET LIVE IF YOU WANT

Sabe aquela máxima “quem sabe faz ao vivo”? Aplica-se perfeitamente aos Rolling Stones. Assim como o The Who, os Stones têm verdadeira simbiose com palco/platéia/amplificadores. Aproveitando da vinda da banda no próximo dia 18, resolvi fazer uma análise de seus registros ao vivo

Get live if you want (cd/1966)- Tirado da turnê de 1965, mostra a banda no frescor do início da carreira, tocando em lugares pequenos e esfumaçados. Quase que dá para sentir o calor da platéia durante a audição. Pena que a gravação seja tão precária, porém alguns consideram isso um charme.








Rock and roll circus (cd-dvd/1968)- Durante 28 anos este registro ficou no limbo, alguns colecionadores possuíam cópias piratas, mas em 1996 foi lançado em cd e vhs e traz a apresentação da banda para a tv britanica que na verdade era uma reunião das maiores bandas da época ciceroneada pelos Stones. Jethro Tull, Taj Mahal, the Who com sua opereta pré-Tommy A quick one while he is away, Yoko ono (o momento em que Yoko assume os vocais quase estraga a festa), Marianne faithfull e ainda um número com um verdadeiro Dream Team do rock batizado de Dirty Mac, banda improvisada por John Lennon, Keith Richards, Mitch Mitchell (baterista do Jimmy Hendrix) e Eric Clapton. A apresentação dos Stones traz musicas de seu recém lançado Beggar’s Banquet numa performance incendiária










Stones in the park (dvd/1969)- Show que a banda deu no Hyde Park em memória de Brian Jones, morto dias antes. A apresentação gratuita já estava agendada, mas com a morte do guitarrista, ganhou novo sentido.




Get yer ya ya’s out (cd/1970)- Considerado o melhor disco ao vivo de todos os tempos junto com Live at Leeds do Who, este aqui cobre a apresentação da banda no Madison Square Garden em Nova York em 1969. No auge da forma e criatividade a banda detona hits com energia como Jumping Jack Flash, Sympathy for the devil, Street fighting man e outros. Obrigatório.




Gimme Shelter (dvd/1971)- Além de trazer imagens filmadas do show que saiu no disco de 1970, o documentário também mostra o trágico show de Altamont de 1969. O festival era uma espécie de resposta ao Woodstock , já que a banda não fora escalada para o lendário festival, resolveram fazer seu próprio do outro lado do país. Porém, a paz e o amor pregados no norte do estado de Nova York passaram longe do deserto da Califórnia. Na apresentação dos donos da festa, que desde o início se mostrava tensa, focos de briga pipocavam até que um rapaz foi morto a facada por um dos Hell’s Angels que foram contratados para fazer a segurança do evento, ou seja, era o mesmo que usar gasolina para apagar o fogo. É o registro do fim da era flower power e há quem diga que marca também o fim dos anos 60. A seqüência do helicóptero da banda deixando o local como o último helicóptero americano saindo de Saigon tomada pela milícias Vietcong é aflitiva e ao mesmo tempo de uma plasticidade insofismável.

Love you live (cd/1977)- Ao vivo duplo (triplo em vinil) gravado da turnê americana do disco Black and Blue de 1976. É o estágio embrionário das grandes turnês que eles fazem até hoje.



Still Live/Let’s spend the night together(cd e dvd/1982)- Disco e video da turnê do album Tatoo you e inaugura a fase dos megashows da banda.



Flashpoint/Live at Max(cd e dvd/1991)- Flashpoint é um disco ao vivo tirado da perna européia da turnê Steel Weels chamada de Urban Jungle. Conta com participação especial de Eric Clapton e traz de bônus duas musicas inéditas: sex drive e high wire. Bem poderia ser duplo, mas quem quiser um registro em cd mais completo da turnê deve correr atrás da caixa pirata Live at Atlantic City 89. Já Live at Max é a versão em vídeo onde se pode ver todo o gigantismo da turnê que até então foi a mais cara de todos os tempos.


Live at Miami(dvd/1994)-Esse aqui é o video oficial da turnê Voodoo Lounge, a primeira que passou pelo Brasil, mas aqui é a versão compactada do show. Para quem quer ter um registro na integra da turnê deve recorrer a alguma fita com o show do Rio transmitido pela Globo (apesar dos comentários infelizes de Mauricio Kubrusly) ou tentar adquirir um dos vários cds piratas que saíram da turnê (hoje achar em lojas é difícil, mas internet tá aí pra isso).

Stripped(cd 1995)- No meio da megaturnê Voodoo Lounge, os Rolling Stones tiveram a idéia de deixar de lado todo aquele aparato e partir para o básico: banquinho, violão guitarra acústica. A idéia era voltar um pouco a ser aquela bandinha sem-vergonha que tocava em lugares apertados e empoeirados. Traz a inédita versão do grupo para Like a rolling stone de Bob Dylan e a primeira tiragem vinha com faixa interativa para pc-cdrom (a grande novidade tecnológica da época).

Bridges to Babylon(dvd/1998)- Foi o primeiro show dos Rolling Stones a ser lançado originalmente em dvd, já que todos os outros até foram lançados em vhs e convertidos para o formato posteriormente.É a apresentação de Saint Louis em 1997, bem parecida com a que passou pelo Brasil em abril de 98, porém sem a canja de Bob Dylan em Like a rolling stone. Esse encontro histórico é só para quem gravou da Globo.

No Security(cd/1999)- Os Rolling Stones emendaram a Bridges to Babylon tour nessa turnê intitulada como No Security tour. Além de ter uma estrutura de palco bem mais simples, tinha um repertório de musicas não muito executadas em shows da banda. Mas em disco o resultado é burocrático.

Four Flicks (dvd/2003)- Caixa de dvds da turnê meio caça-níqueis de 2002/2003 a Licks tour que comemorava os quarenta anos da banda. Um verdadeiro deleite para os fãs, a caixa que saiu no fim de 2003 traz um documentário, as três faces da turnê (que rolou em arenas, estádios e anfiteatros), extras, câmeras multi-ângulo, ou seja, como disse o critico do jornal britânico the Guardian “é material para manter os fãs ocupados até o natal seguinte”.

Live Licks(cd/2004)-versão em áudio e compactada do conteúdo de Four Flicks. Levando-se em conta o alto preço da caixa ( em média R$230,00, alto mesmo para uma caixa quádrupla) o cd duplo é um bom consolo para quem não teve bala na agulha para adquirir os discos de dvd.

Sunday, February 12, 2006

CRAZY DIAMOND




Existem dois caminhos a serem percorridos no rock: o do roqueiro que envelhece gozando de imenso prestigio, em meio a uma incalculável fortuna e muita bajulação ou o dos excessos que geralmente levam à morte ou à loucura. Geralmente devido ao fato de o ser humano possuir uma atração atávica pelo trágico, o segundo caso costuma atrair mais atenções, além, é claro, das diversas especulações de toda natureza e dezenas de teorias explicativas para o fato. A lista de casos é bastante vasta, corroborando a tese da exigüidade do rock que se reflete diretamente nas vidas de alguns artistas e bandas, mas um em especial chama bastante a atenção dos amantes do rock; o de Syd Barrett. Syd Barrett foi o epíteto do artista inventivo e idiossincrático, cujos vôos criativos alçados se tornaram grandes demais para uma banda de quatro pessoas distintas e idéias muitas vezes divergentes.
Nascido em Cambridge em 1946, Roger Keith Barret teve uma infância difícil: perdeu o pai, e viveu sob os cuidados sua mãe superprotetora o obrigava a ficar quase sempre dentro do quarto o que acabou servindo como alicerce para sua criação artística posteriormente, já que passava o tempo todo em seu cárcere privado lendo quadrinhos livros, contos de fada e ficção científica. O primeiro interesse de Barrett foi o Jazz, mas com o estouro dos Beatles e dos Rolling Stones, começou a se interessar por Rock n’ roll e R&B e logo começou a tocar guitarra.
Com seu amigo de infância Roger Waters formou o Pink Floyd banda com a qual gravou somente um disco, este, porém, ficaria na história do rock como um dos melhores do gênero. Aproveitando o mote da psicodelia, The Piper at the gates of dawn sintetizava tudo o que habitava a mente de Barrett como um mosaico de tudo que fora vivenciado por ele desde a infância, como a ficção científica (Astronomny Domine e Interestelar Overdrive), fantasias oníricas (Matilda’s mother e the Gnome) e as experiências com alucinógenos cuja influência se faz presente em quase todas as faixas. O primeiro single de Barrett com o Pink Floyd foi See Emily Play, uma música de ambigüidade instigante, pois ao mesmo tempo continha um lirismo pop e ao mesmo uma certa estranheza, assim como Arnold Lane. Antes mesmo do lançamento desses compactos o Pink Floyd já tinha uma boa reputação no underground inglês com seus shows que contavam com projeções de slides que exibiam imagens abstratas e experimentos com efeitos luminosos. O som da banda era uma verdadeira anarquia sonora elevando o conceito de música experimental à enésima potência, o que só fazia mesmo sentido para quem era adepto dos lisérgicos, mas a despeito dos donos das casas onde se apresentavam que sempre perguntavam por que eles não faziam um som decente, a banda conquistou fãs e respeito da critica especializada. The Piper of the gates of down foi lançado no mesmo ano de Sgt Pepper’s e vários outros discos psicodélicos de bandas inglesas como Their satanic majesties request dos Stones, the Who sell out do Who e Odgen’s nut gone flake do Small faces, mas the piper’s não obteve sucesso de vendas na época e somente após alguns anos virou objeto de culto.
No entanto o inferno astral de Barrett estaria para começar. No ano seguinte ao lançamento de the Piper, Syd começou a assumir um estilo de vida que contrariava os padrões de normalidade se fechando cada vez mais em um mundo particular. Syd passou um tempo na França tocando como busker (músico de rua) e vivia constantemente sob efeito de alucinógenos, numa ocasião chegou a ser preso e levado de volta à Inglaterra. Em seu flat tomava todos os dias uma mistura de café com LSD (que ele oferecia até para seus gatos), não comparecia aos ensaios e apresentava um olhar vago, distante, como se estivesse em total simbiose com a abstração de suas composições. Para os demais membros da banda isso não era bom; eram uma banda em ascensão com potencial para se tornar grandes, o estado de Barrett era um entrave, pois chegara a subir em um palco e não tocar, ficava apenas parado olhando para um ponto indefinido. Tudo conspirava a favor da saída de Syd Barrett da banda, mas devido a à forte amizade de Roger Waters a demissão foi procrastinada ao máximo. A idéia de Waters era chamar o amigo David Gilmour para tocar guitarra no lugar de Syd que apenas cantaria. A idéia naufragou. Outra saída encontrada seria Syd atuar apenas como compositor-mentor espiritual da banda, sem gravar nem subir no palco, mas suas idéias quase sempre eram incompreensíveis para os demais, pois Syd alcançara um grau de poesia abstrata, filosofia e modus operandi tão intangível que entrava em total descompasso com seus companheiros. O inevitável aconteceu quando os membros da banda foram aos pouco afastando Syd que aparecia em alguns shows do Pink Floyd e postava-se encarando David Gilmour como uma forma de dizer “esse não é o seu lugar”. O Pink Floyd lança então seu segundo disco Saucerful of secrets que embora não conte com Syd em sua formação, é inegável sua influencia no som do álbum que tem uma atmosfera muito semelhante à do anterior. Syd Barrett apareceria como cantor e compositor da ultima faixa, a niilista Jugband Blues que reflete estado de espírito do artista naquele momento. Seu estribilho diz: I don’t care if the sun don’t shine/I don’t care if nothing is mine/And I don’t care if I’m nervous with you/I’ll do my loving in the winter(Não me importo se o sol não brilha/Não me importo se nada me pertence/E eu não me importo se estou bravo com você/Eu farei amor no inverno) Expulso da banda que ele mesmo fundara a Syd Barrett só restava uma carreira solo, o que não seria um problema, pois tinha material de sobra. Como não houve grandes desavenças, Gilmour, substituto de Barrett produziu o primeiro disco solo deste, Madcap Laughs de 1970, um álbum pesado e melancólico como se esperava. No mesmo ano ainda lança Barrett, álbum que traz músicas que se assemelham mais à fase Pink Floyd como Gigolo Aunt e Baby Lemonade. Depois de alguns shows de divulgação de seu trabalho solo, Syd Barrett resolve abandonar a musica em 1971 só colocando os pés em um estúdio 3 anos depois para visitar de surpresa os ex-companheiros de banda que gravavam o álbum Wish you were here. Mesmo longe do Pink Floyd, o legado de Syd Barrett foi a pedra fundamental para tudo que o Pink Floyd faria dali por diante. Seja nas musicas abordando temas como loucura (como Brain Damage) e outras claramente compostas em sua homenagem (Shine on you crazy diamond e Wish you were here); seja na concepção elaborada dos palcos dos shows, sempre com telões e efeitos de luz rebuscados, herança dos primeiros shows com Syd a frente da banda. Não só o Pink Floyd mas várias outras bandas seguiram este conceito de show de rock que se mantém vigente até os dias de hoje.
Syd Barret voltou para Cambridge, internou-se em uma clinica psiquiátrica e depois se tornou recluso em sua casa frequentemente visitada por fãs, que podem ser recebidos ou não, dependendo de seu humor no dia. O ultimo disco de Syd Barrett a ser lançado foi Opel de 1988, coletânea de músicas não lançadas e versões alternativas. Hoje com 59 anos Syd vive na casa de sua falecida mãe, tem aversão a multidões e se dedica à pintura e à leitura.

Stones censurados

Em pleno século 21 os Rolling stones foram censurados em uma apresentação de tv exatamente como há 39 anos atrás no programa do Ed Sulllivan onde foram proibidos de cantar Let's spend the night together e foram obrigados a trocar a letra para let's spend some time together. A censura foi no ultimo superbowl (final do campeonato de futebol americano, maior audiência do país) onde além de abaixar o som do microfone de Mick Jagger cortaram partes "indecentes" de Start me up e da nova Rough Justice, tinha que ser na terra do tio George mesmo. Essa não é a primeira vez que o superbowl tem problemas de ordem moral com seu tradicional megashow de intervalo. Em 2004 no final da apresentação de Janet Jackson e Justin Timberlake, o bustiê da irmã de Jacko foi arrancado pelo ex-NSYNC, era para haver algo por baixo, mas o que se viu foi o seio direito nu da cantora, a tv tratou de cortar mas já era tarde. Depois disso uma onda de moralismo tomou conta das transmissões ao vivo incluindo premiações como Oscar e Grammy que passam mais ao vivo em tempo real, mas com um delay de 5 segundos para dar tempo de coratr qualquer obscenidade. Agora a pergunta: por que não sugeriram aos sessentões um set list mais adequado à "familia americana"?

Monday, January 30, 2006

33 turistas ingleses foram assaltados recentemente de forma absurda e revoltante. Os assaltantes subiram no ônibus que os levava do aeroporto para o hotel e fizeram uma arrecadação de 191.000. Os turistas, traumatizados com razão , não pretendem voltar à cidade. O brasileiro é um povo tão manso que arca com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo sem retorno algum e se queda pacificamente inerte. A aritmética é a seguinte: pagamos impostos, não temos segurança pública e se quisermos ter paz, andamos em carros blindados, contratamos seguranças particulares, nos escondemos atrás de grades... Já quem não tem meios de viabilizar esse forte esquema de segurança que não sai nenhum pouco barato, conta com a própria sorte. Incongruente não? Só que agora os turistas devem seguir o mesmo procedimento (os ingleses vitimas da violência contrataram segurança particular), já que estão sendo afetados por uma lacuna grave deixada pelas nossas autoridades, que cerceia o nosso direito de ir vir e o povo parece conviver com isso com certa naturalidade. Como sonhar em se tornar uma potência do turismo mundial rivalizando com França, Espanha e EUA se não temos condições de oferecer o mínimo de segurança aos nossos cidadãos, quanto mais aos turistas? De que adianta superávit primário estratosférico, cadeira permanente de segurança na ONU empresas se tornando multinacionais se quando saímos de casa corremos grandes riscos e a polícia que deveria servir e proteger a população é corrupta e complacente com a criminalidade? Essas perguntas deverão ser muito bem pensadas e discutidas antes das próximas eleições gerais.

Friday, January 06, 2006


Ano novo vida nova
ô frasezinha mais clichê para se começar um ano, não é?
O ano novo é sempre visto como um novo começo, uma nova chance, uma possibilidadede reviravolta. Só que as pessoas também podiam encarar dessa forma o início de mês, de semana, de dia. Até porque as grandes transformações e surpresas em nossas vidas não têm data marcada para ocorrer, portanto, não deixe para 1 de janeiro para começar uma vida nova(é um pésimo dia, você vai estar de ressaca). Porque não 18 de maio? ou 26 de setembro?

Saturday, December 31, 2005

Melhores do ano

É incrível como esse ano passou rápido, parece que foi ontem que começou. Com o ano acabando vamos à minha tradicional lista dos melhores do ano nas artes.

TV
Não, a tv brasileira não apresentou uma melhora significativa, a tv aberta continua apostando na imbecilização da audiência, com programas vespertinos de quinta explorando a desgraça alheia ou dando relatório sobre a vida das celebridades. Na tv por assinatura o desataque foi a mega minissérie Roma da HBO que reconstituiu de forma magistral a roma antiga nos estúdios cinecittá na Itália e contou a queda da república romana e ascensão do império romano sob o ponto de vista de dois centuriões. Também merece destaque a minissérie brasileira Mandrake produzida pela HBO brasil em parceria com a matriz através de uma política de incentivo fiscal da Ancine. a produção em si é um luxo o problema é que a trama que versa sobre um advogado carioca metido a detetive e comedor é um tanto banal (quantas vezes não vimos essa história?). Entre os seriados the O.C. continuou sendo febre entre o público jovem e Desperate housewives também fez um grande sucesso falando sobre a cruel rede de intrigas de uma vizinhança de um subúrbio norte americano (aqueles aparentes oásis de perfeição). Outro grande destaque foi o Adult Swim, o segmento adulto do Cartoon Network que traz pérolas como Harvey o advogado onde o homem pássaro se torna um advogado de defesa de alguns personagens de desenhos animados, as animações nacionais de Angeli e Adão e os já conhecidos Space ghost coast to coast e o ótimo Mission Hill.

Os melhores do ano
1.Roma(HBO)
2.Segmento de shows da HBO plus
3.The batman (cartoon network)
4.Adult swim(cartoon network)
5.Desperate housewives



ARTES PLÁSTICAS
Foi mais um ano rico em exposições no Rio, com destaques para a do britânico Henry Moore e da pouco conhecida apesar de nascida e formada no Brasil Mary Vieira cujo trabalho dá exemplos de disciplina como base indispensável de liberdade de criação e da beleza como parte integrante da verdade. E não podia faltar Andy Warhol, figurinha fácil por aqui desde a primeira exposição com seus principais trabalhos em 1999, de lá pra cá todo ano há uma exibição de trabalhos do artista por menor que seja. A excelente exibição dos trabalhos de Henfil também atraiu um bom público para o ccbb, foi uma ótima oportunidade de conferir uma coletânea de suas criticas sociais mordazes da época do Pasquim. Outra exposição que merece destaque é Urbicóides de Kadé Monteiro, cujo trabalho se baseia na abstração de formas concretas e concretização do abstrato (como notas musicais que tomam vida) tudo regido por combinações de cores seguindo a tradição da arte vanguardista. E no campo das exposições blockbusters tivemos Por ti América no CCBB, exposição dedicada aos povos pré-colombianos.


Os melhores do ano

1.Henry Moore: Uma retrospectiva (Paço Imperial)
2.Henfil do Brasil(CCBB)
3.Kadé Monteiro-Urbicóides (Casa de Cultura Estácio de Sá)
4.Mary Vieira- O tempo em movimento (CCBB)
5.Andy Warhol Motion Pictures (MAM)


CINEMA
Embora tenha sido um ano com média de bilheteria abaixo do esperado houve uma safra razoavelmente boa, embora da mesma forma que a bilheteria tenha sido inferior a do ano passado. Não houve uma grande pérola como O brilho eterno de uma mente sem lembrança, por exemplo. O acachapante Oldboy, sensação do festival de Cannes do último ano finalmente chegou às telas brasileiras assim como o épico de Zhang Yimou Hero depois de um atraso de 2 anos. O flime de Gus Van Sant inspirado nos últimos dias de vida do vocalista do Nirvana Kurt Cobain Last days teve sessões concorridíssimas no festival do rio, mas o diretor cuja presença havia sido confirmada furou na ultima hora. Três diretores de peso deram a 2005 alguns dos melhores filmes do ano: Fernando Meirelles com seu Jardineiro fiel, sua primeira incursão no cinema internacional, já que o filme é uma produção inglesa, David Cronenberg com Marcas da violência e Thomas Vintenberg com Querida Wendy, roteirizado por seu colega de Dogma 95 Lars Von Trier. 2005 foi também o ano do derradeiro episódio da saga Guerra nas estrelas (star wars é o cacete) maior bilheteria do ano, recuperando um pouco do prestígio perdido pelos dois episódios anteriores, foi a principal atração de Cannes com sessão de gala, presença do elenco e do diretor George Lucas em pessoa, tapete vermelho, execução do tema do filme por uma orquestra sinfônica e tudo mais. Porém, embora seja considerado o melhor filme da saga, ainda não atinge o mesmo nível de qualidade da trilogia clássica apresentando alguns dos erros dos dois filmes predecessores. Já Batman begins cumpriu com a promessa de presentear os fãs do personagem com o filme que eles esperavam desde 1989. Com Christopher Nolan na direção e o ótimo Christian Bale no papel principal o filme baseado no HQ Batman ano 1 de Frank Miller além de explicar a contento a origem do personagem, desenvolve o personagem pelo viés psicológico, explicando por que um milionário resolve sair pelas ruas vestido de morcego combatendo o crime, o filme nada mais é do que uma alegoria sobre nossos medos obsessões e ira. Tim Burton, diretor dos dois primeiros filmes do morcegão quando perguntado pela revista Set sobre o que tinha achado do filme deu uma resposta meio despeitada dizendo que estava muito ocupado terminando A fantástica fábrica de chocolate e quando você está fazendo um filme a última coisa que você quer é ir ao cinema, já Joel Schumacher que assassinou a franquia dirigindo os dois últimos e péssimos filmes deve ter fugido para alguma ilha do Caribe para não ter que responder à mesma pergunta. No Brasil o ano foi fértil, além de Dois filhos de Francisco, maior bilheteria do ano,maior êxito desde a retomada, também tiveram destaque Cidade baixa, Cinema , aspirinas e urubus, Quase dois irmãos e Casa de Areia.
Melhores do ano
Nota: Hero e Oldboy ficaram de fora por serem produções de 2002 e 2003 respectivamente.
1. Batman Begins (Christopher Nolan)
2. Sympathy for Lady Vengeance (Park Chan Wook)
3. Last Days (Gus Van Sant)
4. O Jardineiro Fiel (Fernanado Mirellles)
5. Cidade baixa (Sérgio Machado)



MÚSICA
O mercado fonográfico continua em crise embora tenha havido um pequeno aumento das vendas em comparação a 2004. Mas não teve pra ninguém, esse foi mesmo o ano do IPod, dos aparelhos para carros e microsystem com MP3, celulares com Mp3, enquanto nas grandes magazines os DVDs com shows, clipes e documentários de música vêm tomando cada vez mais espaço, tanto que em algumas os velhos disquinhos estão sendo relegados a cantinhos raspas de tacho enquanto os DVDs brilham como atração principal. Estaria então havendo uma mudança na forma de se consumir música? Qual será o futuro do disco? SACD? DVDAudio? Dual Layer?
Saindo da seara da indústria e partindo para a que interessa, ou seja, a arte em si, o ano foi muito bom; nenhum modismo imbecilizante foi criado, entre os êxitos popularescos o maior foi o cantor (?) Latino e sua Festa no apê (versão infeliz de uma dance music italiana bate estaca). Maria Rita lançou seu aguardadíssimo disco novo mas decepcionou. O formato acústico/ao vivo com a marca MTV continua rentável e inesgotável; Titãs, e Barão vermelhos, decanos do rock nacional apelam para o formato numa estratégia para vender bem sem se arriscar. Na cena internacional, Arcade Fire foi a grande revelação do ano e encantou o público do TIM Festival em outubro com uma música que dosa experimentalismo e lirismo com maestria, seu segundo trabalho Funeral pode ser considerado o melhor do ano. Outra revelação do ano foi a inglesa de origem cingalesa M.I.A, seu Arular é uma mistura de vários ritmos que vão do Banghra indiano ao hip hop americano, passando pelo Ragga jamaicano e até o funk carioca, pena que aqui ela tenha sido reduzida pela mídia local como uma “funkeira”. O System of a down se firmou como a maior banda de rock pesado da atualidade com o excelente Mezmerize e a sensação escocesa Franz Ferdinand passou com Louvor no batismo do segundo disco. 2005 também assistiu à volta de dinossauros: Rolling Stones lançaram A bigger bang, primeiro álbum de inéditas em 8 anos e Paul McCartney também voltou aos estúdios e lançou Chaos and criation in my backyard, ambos os discos muito bons e se não ficarão na história da música pop pelo menos honram seus compositores. Na área dos shows internacionais o dólar ajudou e tivemos um ano principalmente o último trimestre rico em ótimos shows como há muito não se via. Em Maio o White Stripes veio ao Brasil para divulgar em primeira mão o ótimo Get Behind me Satan inclusive fizeram um show memorável em Manaus cidade que sempre se vê excluída de turnês internacionais.O Curitiba Pop Festival mudou de nome para Rock Festival e trouxe o Weezer. O TIM Festival foi um dos melhores festivais já feitos no Brasil, conseguiu trazer Strokes, M.I.A, Arcade Fire, Wilco, Kings of Convinience, Television e Elvis Costello que encerrou o festival com um show histórico. Pouco mais de um mês depois, o Rio assistiu a uma versão mega desorganizada do Claro q é Rock que rolou sem problemas em Sampa, mas por causa de um caminhão de equipamentos que quebrou vindo de São Paulo, tivemos atraso de mais de duas horas para iniciar os trabalhos, um show a menos (Nação Zumbi) som sofrível e Flaming Lips e Sonic Youth fazendo shows curtíssimos (meia hora cada). Só os superestimados do Nine Inch Nail tocaram com um bom som, mas entraram quando já passava das 2 da madrugada. Valeu pelo antológico show de Iggy Pop e do espirituoso ex-Faith no more Mike Patton que veio com sua banda Fantomas que definiu bem o festival:claro q é merda.
Sim, parecia mentira, mas o sonho de uma geração de roqueiros se realizou: Pearl Jam no Brasil. A banda passou por Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e encerrou a excursão pelo Brasil com um show catártico na praça da apoteose no Rio.
E 2006 tem Rolling Stones, U2, Bob Dylan, Santana e, dizem, The Who...

Os melhores do ano
Discos
1. Funeral (Arcade fire)
2. Get behind me satan (White Stripes)
3. Mezmerize (System of a Down)
4. A bigger bang (Rolling Stones)
5. Arular (M.I.A)

Shows
1.Elvis Costello and the Imposters (TIM Festival- MAM)
2.Pearl Jam (Apoteose-RJ)
3.Iggy Pop (Claro q é rock)
4.Television (TIM Festival-MAM)
5.Flaming Lips (Claro q é rock)

Saturday, December 24, 2005

Visita Esperada

Ao contrário dos judeus que esperam a vinda de um messias, nós cristãos estamos esperando por sua volta. Nesses tempos conturbados de ódio exacerbado e intolerância, a volta do messias é tida como a única solução para esses conflitos violentos que infelizmente já se tornaram banais no mundo moderno, as palavras de Ian McCulloch do Echo and hte bunnymen fazem todo o sentido hoje:"bring on the new messiah wherever he may roam"(tragam o novo messias por onde quer que ele possa andar). A questão é o que aconteceria se Jesus Cristo voltasse à Terra. Ao meu ver não seria muito diferente do que ocorreu há há 1972 anos(ou 1979 anos se formos pela teoria de que nosso calendário está com 7 anos de delay devido ao erro de um padre medieval), pois por mais pessimista e desolador que possa parecer, ainda não estamos evoluídos o suficiente para recebermos e compreeendermos uma pessoa tão iluminada como JC. Certamente será tido como louco, terrorista, comunista, ou o que for, será perseguido pelo exercito americano, levado a um julgamento nas Nações Unidas sem muita chance de se defender e ainda pode ser assassinado ou "suicidado" na prisão. talvez mais tarde, algo como daqui a cem anos, reconheça-se que aquele homem era a reeencarnação do Messias, mas será tarde demais...ou não? não paa quem quiser capitalizar com uma nova religião, como aconteceu no século 1, templos surgirão, sua volta será prometida, um lugar a seu lado será vendido por muito mais do que trinta dinheiros. Ainda não chegou a hora, não estamos prontos e Ele sabe que a salvação é um esforço conjunto e não um feito individual
tem 56 paus de bobeira? então corra a(realmente boa) banca mais próxima e compre a Uncut deste mês. A revista inglesa traz coo matéria de capa os 20 anos do the queen is dead do th smiths, uma metéria muito interessante sobre o nosso cidade baixa e de quebra vem um cd com músicas selecionadas pelo saudoso John Peel. O preço é salgado(até por que a libra está na ionosfera) mas vale o investimento.

star2000

Canso de dizer e me espantar(que fico até meio chato) com a precisão nas premonições de Andy Warhol quando propalou que no futuro todos teriam 15 minutos de fama. É o q vemos na mídia atualmente, celebridades instantâneas surgindo a cada minuto, pessoas que são famosas não por seus feitos e sim por serem, hã...famosas. Nunca foi tão fácil ser um famoso como hoje;até o século XIX os famosos eram os reis, nobres, descobridores, heróis, gênios da ciência e das artes. Com o advento da industria fonográfica e cinematográfica, os famosos passaram a ser aqueles que estavam inseridos na engendragem daquela cultura de massa, principalmente os que estavam em maior destaque, caso dos atores. Hoje não é preciso desenvolver um trabalho artístico para se tornar famoso, basta aparecer. Isso mesmo, basta aparecer. Onde quero chegar com esse papo? ultimamente na tv aberta tenho me deparado com uma onipresença de uma colega blogueira ex-prostituta(nada contra, elas têm mais princípios do que muita "moça de família") chamada Bruna surfistinha(nome de guerra). Ela acaba de lançar um livro chamado o doce veneno do escorpião que está entre os mais vendidos há semanas e cujo conteúdo é baseado nos relatos de seu blog ,que por sinal é o mais visitado a internet aqui no Brasil, ou seja, seus programas, clientes. Não é novidade pra ninguém que sexo vende, mais a superexposição da colega já chegou a um nível tão alarmante que agora os programas de tv estão chamando a mulher que foi trocada pela Bruna surfistinha. Belíssima, a abandonada serve como ingrediente infalível para uma historinha dramática ordinária adornada com pitadas de sensacionalismo sempre naquele tom maniqueísta"como a princesa foi trocada por uma puta".Bruna , ou melhor, Raquel deve aproveitar ao máximo esse momento, pois breve mal será lembrada a menos que vire uma escritora de renome, o que não é impossível, pois a menina até escreve bem e parece ser inteligente, ou seja ela saberá se reinventar quando o sucesso passar, afinal, Lilian Ramos se casou com ninguém menos que Giuseppe Tornattori

Friday, October 28, 2005

Pois é, tanto choraminguei no post da sexta passada por não poder ir ao Tim festival em especial ao main stage de domingo e acabei conseguindo ir(Deus existe). Comprei o ingresso no cambista (que a principio queria fazer a 200 paus, mas na conversa chegamos a um denominador comum de 120) e presenciei a uma noite histórica, valeu cada centavo, o CBGB’s baixou no MAM. O show do Television foi antológico, longe de uma banda fora de forma fazendo cover de si mesma, os caras ainda mantém a química em alta, clássicos do aclamado Marquee Moon não faltaram, inclusive a faixa titulo foi executada de forma magistral. Elvis Costello trouxe sua banda The Imposters e fez uma apresentação que já configura no hall dos shows históricos junto com Queen no Rock in Rio I(1985), Echo & the Bunnymen no canecão(1987), Stones no maraca(1995) e na apoteose(1998), Sonic Youth no Free Jazz(2000), Neil Young no Rock in Rio III(2001) e Roger Waters na apoteose(2002).O show começou de forma incendiária com Uncomplicated e Elvis chamando o público que permanecia sentado nas(desnecessárias)mesas para se levantar e ir pra perto do palco, afinal de contas aquilo seria um show de rock.Ver a cara de tacho dos seguranças que antes de começar o show mandaram todo mundo permanecer sentado foi hilário, provavelmente a produção do festival deve ter achado que seria um show intimista na linha dos últimos trabalhos do artista, mas foram duas horas de puro e excelente rock n’ roll. O show foi um passeio por toda a carreira de Elvis, se concentrando mais na fase roqueira como Radio radio, watching the detectives, clubland, oliver’s army, what’s so fun about peace love and understand, petardos executados quase emendados uns nos outros, sem aquelas pequenas pausas. Sem duvidas uma noite para ser lembrada por muito tempo.

Thursday, October 27, 2005

Este que vos escreve cometeu dois erros imperdoáveis na coluna do Live 8:
1. disse que David Bowie pegou um concorde e foi de Londres a Filadélfia para cantar dancing in the streets com Mick Jagger, que viagem, Bowie não saiu de Londres e Jagger se apresentou com Tina Turner. Quem realizou a façanha de tocar nos dois lados do Atlântico graças ao supersônico foi o Phil Collins;
2. me dei conta do erro umas duas semanas depois do post e só estou colocando a reparação agora!!!

Friday, October 21, 2005

Não vou ao Tim Festival e é por puro desleixo; subestimei a procura pelos ingressos e fiquei a ver navios. Os três dias e palcos que me interessavam se esgotaram muito rápido. Não consegui nem pro show extra dos Strokes no sábado, e o pior que quando saiu a lista das atrações eu me planejei para ir a todos os dias. O motivo de minhas lamúrias é o fato de esta ser a melhor escalação para um festival internacional no Brasil desde o Hollywood Rock de 1993(aquele no qual se apresentaram Nirvana, Alice in Chains, Chilli Peppers, todos no auge) e também por este provavelmente vir a ser o último ano do evento no MAM que se mostrou um espaço perfeito quando foi adotado como sede do festival em 1996 quando ainda era Freee Jazz, embora aquele espaço Village tenha se tornado Hype demais para o meu gosto(tava superlotando tanto que passaram a cobrar 10 reais de entrada). Contudo, o show que me mais me dói perder é o de domingo: Elvis Costello acompanhado dos Impostors, sua banda da fase áurea, com show de abertura do Television. É o tipo de fenômeno que ocorre somente uma vez no Brasil, como Echo & the Bunnymen com a formação original no Canecão em 87, Kurt Cobain mostrando músicas do disco seguinte In Útero que só seria lançado no meio daquele ano, ou Bob Dylan abrindo pros Stones e depois dando uma canja no show destes na música Like a Rolling Stone (essa nem lá fora). Ou seja, vai ser pra contar pros netinhos. Bom, a vida continua e o negócio agora é pensar no Pearl Jam, Stooges, Stones e corre no ar uma história de que ano que vem vai rolar Jamiroquay, David Gilmour e Radiohead. É torcer pro dólar continuar a R$2,30.
Tô ouvindo M.I.A direto e só agora estou me dando conta. Apesar da badalação, Arular é realmente muito legal e parece que na Inglaterra e em Nova York toca direto, ou seja, os gringos se amarraram no funkão carioca que nada mais é do que uma adaptação do miami bass criado por eles mesmo. é o ciclo se completando.
Parece que Zhang Yimou voltará aos wuxias, confirmando as minhas expectativas de que essa fase artes marciais rendesse uma trilogia, posto que já realizara Hero e House of flying Daggers. O filme que começará a ser filmado em fevereiro traz de volta a musa do cineasta e principal estrela do cinema asiático Gong Li. Também está no elenco Chow Yun Fat, o Li Mu Bai de O tigre e o dragão, que faz papel de um príncipe que vive uma paixão proibida com a personagem de Gong Li, sua guarda pessoal e como pano de fundo certamente veremos embates espetaculares, fotografia magistral e direção de arte de cair o queixo. Vamos esperar.

Wednesday, October 19, 2005

Balanço do Festival do Rio 2005

Findo o festival do rio, faço o meu tradicional balanço do que aconteceu de mais legal no evento, embora esse ano eu tenha assistido a uma quantidade de filmes muito menor do que nos anos anteriores (vida de concursista...). A premier Brasil deste ano ganhou mais destaque e muito mais relevância, a ausência de Oldboy no ano passado foi reparada a contento com nada menos que 3 filmes de Chen Wook Park: o superestimado Três extremos onde o diretor assina o segundo curta e os outros dois filmes da trilogia da vingança na qual Oldboy se insere como o segundo filme; Senhor vingança(ótimo) e Lady vingança(um dos melhores do festival e do ano fácil). A maioria dos convidados estrangeiros furou (Spike Lee, Gus Van Sant, Stephen Frears)mas Danny Glover e Ralph Fiennes cumpriram com o prometido e deram as caras no Odeon nas sessões de gala de seus respectivos Manderlay e O jardineiro fiel do nosso Fernando Meirelles, sessões essas que confirmaram o Odeon como epicentro do festival, posto outrora ocupado pelo eixo Estação botafogo-Espaço Unibanco(o que não quer dizer que a rua voluntários da pátria não botou gente pelo ladrão). Na média geral esse festival, ao meu ver, foi bastante inferior aos anteriores, provavelmente o mais fraco dos últimos 5 anos, faltaram mostras temáticas como a “no ritmo dos musicais” de 2003 onde pudemos ver Rock Horror Picture Show, Hair, the Wall, Tommy no telão, ou a “de volta para o futuro” do ano passado que nos deu oportunidade de (re)ver filmaços como Planeta dos macacos, 2001, Blade Runner , O dia em que a terra parou, Barbarella e Alien onde devem ser vistos: no cinema. Sem falar na mostra Sérgio Leone e a curiosa mostra isso é Bollywood que trouxe ao Brasil aqueles musicais indianos que lotam os cinemas por lá. Sem contar que esse ano apesar de muitos filmes legais não houve “O” grande filme.
Aqui vai minha listinha dos melhores que eu vi.
1.Querida Wendy-dirigido por Thomas Vintenberg e roteirizado por Lars Von Trier, o filme é bem apropriado para esses tempos de referendo acerca do estatuto do desarmamento, fala do paradoxo entre porte de armas e não emprego da violência e coloca em questão a eficácia desta filosofia
2.Last days-O filme cabeça de Van Sant leva o conceito de Elephant à enésima potência. Claramente inspirado nos últimos dias do líder do Nirvana Kurt Cobain, o filme tem longas seqüências contemplativas, planos-sequência, narrativa nem sempre linear e mensagens subliminares. Um verdadeiro alterofilismo cinematográfico
3.Lady vingança-só perde para Oldboy e já está na minha lista dos melhores de 2005, aqui o diretor Chen Wook Park se supera com a estética mais sofisticada apresentada em sua obra até agora e coloca de vez seu nome entre os mais importantes cineastas orientais da atualidade
4.medidas para mudar o mundo-Hilário pseudo documentário alemão sobre idéias absurdas para se viver melhor.
5.seven swords –bela sessão da tarde chinesa, que embora esteja longe de um tigre e o dragão(que viria no festival de 2000, mas acabou só estreando no circuitão em fevereiro de 2001), um Hero ou um House of flying daggers(ambos sensação do festival passado), é um bom passatempo embora pudesse ser um pouco menor.

Wednesday, September 07, 2005

Green Day salva o rock no VMA's 2005

Única banda de rock de destaque em meio ao império do rap-r&b-hip-hop da MTV americana foi justamente a grande vencedora da edição 2005 do Vídeo Music Award, o Oscar do vídeoclipe.Outros artistas bem cotados e premiados foram Miss E. Elliot e Gwen Steffani (vocalista do No Doubt em carreira solo).
Não é de hoje que o VMA’s vem dedicando cada vez menos espaço ao bom e velho rock n’ roll que em outros tempos gozava de grande prestígio na cerimônia. Agora fica restrito à categoria segmentada fora raras exceções, e como a premiação é um reflexo direto do que está quente nas paradas de sucesso do tio Sam, é compreensível que o rock tenha sido suplantado pela música pop negra. Em decorrência disso a premiação desse ano foi homogênea, monocromática, quase de um só gênero; shows extremamente enfadonhos e esquecíveis de rappers malas ou artistas pop sem expressão nenhuma, salvo os do Green Day logo na abertura da festa e Coldplay mais adiante num show que mesmo burocrático foi bem acima da média, além , é claro, da bizarra apresentação-A-volta-dos-mortos-vivos de MC Hammer, ainda no capítulo bizarrice ainda houve um momento latinos unidos(afinal desde o ano passado a cerimônia é realizada em Miami, a cidade mais latina fora da América latina) liderado por Ludacris onde rolou até mesmo uma batucada brasileira pra gringo ver, com direito a bandeira verde e amarela e tudo.No saldo final o VMA’s 2005 foi uma triste e pálida versão da premiação de outrora, que tinha Nirvana e Pearl Jam concorrendo a estatuetas e contava com shows de U2, Rolling stones Madonna e Michael Jackson. Sem querer desmerecer, mas quando a banda de maior prestígio de uma premiação é o Green Day, por melhor que seja o último disco, é sinal de que algo está errado.